Antiinflamatórios

          Queridos, assíduos, inteligentes, pacientes e persistentes leitores! Tenho certeza que há muito tempo alguns de vocês aguardam ansiosamente pelo post de hoje! Na última vez que escrevi deixei pistas de hoje escreveria sobre os tão conhecidos... Antiinflamatórios! Essa famosíssima classe de medicamentos que disputa a popularidade absoluta com a classe dos antibióticos será hoje alvo dos nossos estudos. E, só pra não perder o costume, vai aí a pergunta introdutória:

          O que diabos tem a ver antiinflamatório com um blog de colesterol, gordura trans e ômegas 3/6?

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          Bem, colesterol e gordura trans não tem muita coisa a ver não. Mas, os leitores atentos do post “Eicosanóides” chutaram que, já que algumas dessas substâncias têm ação inflamatória, os medicamentos antiinflamatórios devem impedir a síntese dessas substâncias. E... Acertaram!

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          Os antiinflamatórios geralmente apresentam três efeitos básicos: antipirético (abaixa a febre), analgésico (diminui a dor) e antiinflamatório. A diferença entre esses medicamentos está na potencialidade desses efeitos e nos efeitos colaterais.

          Podem ser divididos em dois grandes grupos:

a)Antiinflamatórios derivados da cortisona, corticóides ou esteróides, conhecidos           como antiinflamatórios esteroidais

          Os antiinflamatórios esteroidais atuam diretamente sobre as fosfolipases (citadas no post “Eicosanóides”), impedindo dessa forma toda a cascata da inflamação.

          Esse grupo de substâncias tem uma ação intensa sobre a inflamação, mas apresentam inúmeros efeitos colaterais:

          - São responsáveis pela retenção de sódio. O uso indiscriminado dessas substâncias pode, portanto, ter como conseqüência o aumento anormal da pressão arterial.

          -Como essas substâncias são naturalmente produzidas pela glândula adrenal humana, o uso prolongado de corticosteróides sintéticos pode ter como conseqüência a supressão do eixo hipotálamo-hipofise-adrenal .

          -Predisposição a diabetes e osteoporose, devido à supressão da produção dos hormônios da glândula adrenal

          -Predisposição a infecções, devido à ausência de qualquer reação inflamatória

          -Doença péptica, devido a inibição da produção de prostagladinas que protegem o estômago contra os ácidos produzidos em seu interior

          -Manifestações psiquiátricas, alterações oculares, ganho de peso, síndrome de Cushing, dentre outros

          Principais antiinflamatórios esteroidais:

1) Dexametasona tem longa duração de ação e suprime eficientemente a secreção de cortisol por 24 horas. Não se aconselha a administração oral por tempo prolongado, devido à grande supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

2) Hidrocortisona é usada intravenosamente e por curto prazo em situação de emergência de algumas condições (por ex.: asma grave, choque anafilático, angioedema, urticária gigante). O uso sistêmico agudo, mesmo com altas doses, não acarreta efeitos indesejáveis. Não se usa por tempo prolongado em função da atividade mineralocorticóide que causa retenção de água e sódio e depleção de potássio, com eventual comprometimento hemodinâmico.

3) Prednisolona Foi incluído por apresentar forma de solução oral, propiciando o uso em crianças com dificuldade de deglutir formas sólidas (como comprimidos de prednisona). Como prednisona, não suprime continuadamente o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Um ensaio clínico mostrou benefício da prednisolona quando utilizada em baixas doses em artrite reumatóide115. Nas crianças está indicada em síndrome nefrótica, asma, epilepsia, artrite idiopática juvenil, doenças alérgicas e cardite reumática

4) Prednisona é agente de duração intermediária (18 a 36 horas). É o corticosteróide mais testado em múltiplas doenças em que se faz necessário uso sistêmico prolongado. Em doses únicas matinais ou em dias alternados, propicia menor supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, com conseqüente diminuição de efeitos adversos.

          b) Antiinflamatórios não esteroidais (AINES) ou não hormonais (AINH)

          Atuam na inibição de um sistema enzimático denominado ciclooxigenase (COX, também presente no post “Eicosanóides”) ou prostaglandina-H-síntase, responsável pela síntese dos diferentes tipos de prostaglandinas.

          Existem duas isoformas da COX, denominadas COX-1 e COX-2:

          Classificação das CICLOOXIGENASES:

 

COX-1

COX-2

     

Classificação

Essencial nos processos fisiológicos

Induzida por processo inflamatório e Interleucinas (IL1, IL2 e TNF-α)

Vasos Sanguíneos

Relaxamento vascular (PGE1, PGI), e contração, aumento da permeabilidade capilar (PGF, TXA)

 

Brônquios

Contração (PGF2, LTC, LTD, TXA) ou relaxamento (PGE)

 

Rins (PGE1, PGI)

Mantém o fluxo sanguíneo renal em pacientes com ICC, insuficiência renal ou cirrose. Regula metabolismo de sódio e potássio.

Aumentam na privação do sal. Aumentam a formação de PGI2 e PGE2, que estimulam a secreção de renina.

Plaquetas

Indução da agregação plaquetária (TXA2) ou inibição (PGI).

Não é detectável.

Gestação/Parto

Induz a contração uterina (PGE, PGF2α).

Possui expressão no epitélio uterino em diferentes períodos da gestação inicial e é importante na implantação do embrião e na angiogênese necessária para o estabelecimento da placenta.

SNC

Modulação do sistema neurovegetativo e do processo sensorial (PGE2, PGD2, PGH2).

Presente apenas no córtex, hipocampo, hipotálamo e medula espinhal.

Febre

Há produção de PGE2 que ativa o centro termorregulatório hipotalâmico.

Aumenta COX-2 no endotélio dos vasos cranianos e micróglia.

Hiperalgesia

Potencializa a ação dos mediadores da dor e sensibiliza os nociceptores.

Aumenta a imunorreatividade para RNAm da COX-2.

Núcleo

 

Induz apoptose.

Fonte: Silva, P. Farmacologia. (2004)

          A inibição da COX-1 é a responsável pelos efeitos colaterais dessa classe de medicamentos:

-Gastrites e úlceras

-Insuficiência renal

-Deficiência na coagulação sanguinea

-Hipertensão

-Inibição da ação dos diuréticos

-Insuficiencia cardíaca

-Hepatite

-Reações alérgicas

          Todos esses sintomas são resultados da inibição das ações benéficas da prostaglandinas. Isso fez com que os pesquisadores buscassem a síntese de medicamentos seletivos para COX-2, que seria a isoforma responsável pela síntese de prostaglandinas que combateria especificamente a inflamação.

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          Porém, nos rins a COX-2 regula a excreção de sal através da renina, o volume circulante e a homeostasia da pressão arterial. Dessa forma, uma inibição desse sistema enzimático pode ter como efeito colateral a alteração da pressão arterial e alterações da osmolaridade sanguínea com consequente desbalanço hídrico.

          Em certas mulheres esses medicamentos podem inibir o ciclo menstrual causando amenórreias secundárias. De qualquer forma, os inibidores seletivos de COX-2 são os
antiinflamatórios mais indicados para pacientes com problemas gástricos.

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          Em resumo:

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          Ufa!!

          E aí?

          Valeu a pena esperar pela aula de hoje?

 

 

Referências:

MARZZOCO ,A. , TORRES, B. B. Bioquímica Básica, 2 ed., Rio de Janeiro: Guanabara

Koogan,1999

http://www.medicinanet.com.br/conteudos/biblioteca/2597/antiinflamatorios_esteroides.htm

http://www.endonline.com.br/bookline/medsist/antiinflamatorios.htm

http://drashirleydecampos.com.br/noticias/15376

http://www.mdsaude.com/2008/11/antiinflamatrios.html

http://cc04-10.med.up.pt/Farmaco/Corticoides.pdf

http://www.ebah.com.br/busca.buscar.logic?q=antiinflamat%F3rios

3 comentários:

Vitor Morel disse...

tenho burcite no ombro e faço academia me falaram pra tomar corticoide que não atrapalha na academia é verdade?

Antes que dê meia noite disse...

MUITO BOM

Unknown disse...

Muito bem explicado. Adorei!

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